Você sabe o que é olhar para dentro de um poço, que parece não ter fundo, sem balde e corda?
Olhar para o céu à noite, sem estrelas, sem lua. Nada visível além da escuridão.
É preciso confrontar o vazio, mas é tão vazio que é difícil de explicar, dá vontade de fugir, mas como um piche, gruda e por mais que se balance as mãos sem parar, ele volta a grudar.
O vazio se preenche com a saudade e o que fazemos é fugir. Talvez por sermos ensinadas desde o ventre que não devemos confrontar ou porque tivemos e temos confrontos demais.
Uma vez uma frase ecoou na minha cabeça: "De tanto empurrar a sujeira para debaixo do tapete, uma hora ele voa." Liberdade, tal qual Aladim, mas sem gênio da lâmpada e Jasmine.
O tapete voou e a sujeira ficará ali até que TU a limpe. Às vezes temos medo de olhar para ela, como se fosse uma esfinge que poderia nos transformar em pedra para sempre.
Existe outro caminho, outro céu de estrelas pode surgir, um poço com corda para descer e subir sempre que necessário. Firme e iluminado.
Encaremos o vazio, sorrindo ou chorando. Até que fique apenas a saudade, a emoção e os sonhos daquilo que não foi.