Há uma estrela acima das sobrancelhas.
O Aspie está queimando seus dedos,
Inalando gás fluido. A superfície era livre.
Nuvens de fumaça receberam cores,
Tons, degradês. Luz e sombras se degladiaram, enquanto
Risadas ecoavam em meus ouvidos.
Meu corpo está gangorrando em resposta.
Lábios aveludados formam um sorriso
Em formato de meia-lua inteira.
É quinta-feira, dia de muitos vivas e incômodos.
Leis herméticas despertaram um novo sentido para viver.
Há orquídeas coloridas sob o parapeito da janela.
Ela me disse: "Existe uma profunda relação entre uma cabeça acidentada e um artista."
Suspeitei que fora para me reconfortar.
Não gangorrava mais.
Ele preferia a negação. Achava que o ego era um perigo iminente, era hora de combater mais e mais pela base.
Tolo. Essências inquebrantáveis não se modificam.
Perdera a gominha azul do cigarro.
Dessa vez, era preciso manuseá-lo
Como massinha de modelar.
Era noite na taverna. Desejava o dia
Para dissipar a luz como um prisma,
Gostaria de sujar os dedos em uma tela,
Sorrir e pedir à companheira para limpá-los.
Os movimentos alternados do balancé cessaram.
As costas tortas carregariam o cansaço, a culpa e a maldade do tempo.