Tigresa

16 de jun. de 2025

Ana faz tocar o céu da boca,

Contrair os músculos da língua,

Provoca risos,

Sorrisos abertos.

Mandou a dislexia para o sótão,

Enquanto eu permanecia imóvel.


Ela, que fez a correria ser suave,

Me fez querer entrar em uma nave.

Ana tornou-se ventania, destruindo dente-de-leão.


Ana se confunde com Maria,

Tomada por um manto azul-cor-de-céu.

Ana, me ensine a controlar essa vontade de adorar

Teus cabelos macios, feitos de algodão.


Ela, que tirou meus pés do chão,

Mostrou a firmeza de entrelaçar as mãos.


Me ensina a recusar o não, a infelicidade.

Me ensina a não chegar à conclusão

De que o amor perdeu a pureza de uma criança

Comendo algodão-doce açucarado.


Ana, me deixe musicar teus poemas,

Ainda que eu tenha problemas com fonemas.

Ana, me deixe te fazer minha pequena.

E que um dia, talvez, eu não precise de permissão.