Ana faz tocar o céu da boca,
Contrair os músculos da língua,
Provoca risos,
Sorrisos abertos.
Mandou a dislexia para o sótão,
Enquanto eu permanecia imóvel.
Ela, que fez a correria ser suave,
Me fez querer entrar em uma nave.
Ana tornou-se ventania, destruindo dente-de-leão.
Ana se confunde com Maria,
Tomada por um manto azul-cor-de-céu.
Ana, me ensine a controlar essa vontade de adorar
Teus cabelos macios, feitos de algodão.
Ela, que tirou meus pés do chão,
Mostrou a firmeza de entrelaçar as mãos.
Me ensina a recusar o não, a infelicidade.
Me ensina a não chegar à conclusão
De que o amor perdeu a pureza de uma criança
Comendo algodão-doce açucarado.
Ana, me deixe musicar teus poemas,
Ainda que eu tenha problemas com fonemas.
Ana, me deixe te fazer minha pequena.
E que um dia, talvez, eu não precise de permissão.