Eu tatuei meu cérebro
Todo enquanto era um
Receptáculo do tempo.
Borderlines, recatados
E reprimidos chegaram
Aos portais da coluna,
Invadiram a calçada e, de mansinho, arrepia-se a nuca.
Será que não há cousa além de nada?
Desembarcam aos montes,
Enquanto o banco da praça
Ainda é meu lugar no purgatório.
Amigo Dante reservou
A passagem para o Tártaro.
Almas lutando
Para atravessar a fronteira,
Remando com o bíceps.
Pularam o muro de
Espinhos, espetaram-se
Em Cérbero.
Os bons e os maus,
Navegando no Rio Aqueronte
Sem nenhum emissário dos deuses.
E dizem, em cinismo,
Que a verdade é nua.
Eu, que andei perdendo a vaidade,
Negando a coalizão,
Colidi com Caronte, exorcizando
O que pesava no peito.