Purgatório no Banco da Praça

22 de jun. de 2025

Eu tatuei meu cérebro

Todo enquanto era um

Receptáculo do tempo.


Borderlines, recatados

E reprimidos chegaram

Aos portais da coluna,

Invadiram a calçada e, de mansinho, arrepia-se a nuca.


Será que não há cousa além de nada?


Desembarcam aos montes,

Enquanto o banco da praça

Ainda é meu lugar no purgatório.


Amigo Dante reservou

A passagem para o Tártaro.


Almas lutando

Para atravessar a fronteira,

Remando com o bíceps.


Pularam o muro de

Espinhos, espetaram-se

Em Cérbero.


Os bons e os maus,

Navegando no Rio Aqueronte

Sem nenhum emissário dos deuses.


E dizem, em cinismo,

Que a verdade é nua.


Eu, que andei perdendo a vaidade,

Negando a coalizão,

Colidi com Caronte, exorcizando

O que pesava no peito.