Deixe-me falar pro cê: aquele dia lá que eu subi, acabei morrendo de morte morrida. Mas essa subida, meu irmão, foi diferente. Nem adianta subir o morro, viu? Não fala nada não pros irmãos, não precisa dispensar.
Ela estava lá, de preto, segurando um cajado com um coração vermelho de cristal na ponta. Naquele tic-tac, o relógio marcava 18:02. Era eu, era ela. Amada filha de Nix, tirou de mim tudo que era, tirou humanidade, amassou os ossos, soprou o pó que não era escama de peixe. Naquela noite, tomei uma rajada de tiros, mas não bebi com satisfação como costumava ser quando bebia com ela.
E nem adianta dizer que eu subi o morro, viu? A domadora de omi e de Deuses me abraçou igual a mulher traída, só que na versão dela tinha controle de vida e de morte. 18:38. Tinha dias de Leto, dias de Astéria, e do batimento cardíaco da minha artéria nada sobrou.
Naquela lá, o corvo piou e nele havia compaixão. Normalmente, ela é mãe do bom conselho, de nome Eulália Maria, com teu manto azul, sabe? Testemunhou o arrancar do peito inteiro.
Mas aí, deixa eu falar pro cê: avisa lá no morro que a parte do céu na qual foi feita a terra está de pé. Avisa lá que o cheiro de rosas vai se espalhar. Avisa para não roubarem a água daquele poço maldito, senão serão condenados igual eu fui. E dessa mesma água aí, a gente tem a cura, e ela não começa com H.
Avisa lá, manda o morro descer. Mostra pra eles o que é que acontece quando se toca no ungido do Senhor.