O Ponto de 13 Horas

4 de jun. de 2025

Será que suportam espelhos?

Meu ponto é ali, na esquina do açougue,

Onde pego ossos para o cão.

Abatedouro fornecendo mortandade em troca de dinheiro.


Meu ponto é logo ali,

Perto do bueiro,

Virando a esquina onde tem quebra-molas.

Molas usadas em arte circense. A periferia anda bem decadente.


Meu ponto é ali, onde ratazanas bailam em sua exuberância.

Elas gostam de assustar

Humanos grudentos, suculentos de suor.


Meu ponto é ali, onde desce enxurrada de carnificina, onde mora a podridão.


Em instantes começa o foguetório. Lembra-te: não é São João,

Nem São Cosme e Damião. É dia de veneno, mon frère.


Meu ponto é ali, onde nascem agiotas. Lembre-se, não os confunda com idiotas.


Meu ponto é ali, onde se joga bola.

A boa vizinhança rasgou

Nossa alegria por um vidro.

Nosso último júbilo, por uma ilusão de santa paz.