Era uma vez uma bruxinha que andava perdida por um vale escuro. Muitas vezes, topava com sombras tentando lhe agarrar. Ela chorava baixinho, acuada, e pedia socorro. Apavorada, andava em círculos, se culpando, se negando.
Até que, um belo dia, a personificação de Nix surgiu para ela e lhe disse que o inimigo a ser combatido não eram as sombras e seus tentáculos.
Inteligente, ela entendeu. Entendeu que era hora de fazer aquele bosque clarear e deixar a luz tomar conta de seu ser.
Depois da primeira jornada, ela prosseguiu bosque adentro, tropeçando, porém ainda de pé. Encontrou uma velha cabana abandonada e resolveu se estabelecer ali. Disse para si mesma que era hora de reconstruir o lugar.
Limpou o pó, retirou as teias de aranha. Aprendeu, ainda muito jovem, a importância de não dormir com o lar bagunçado. Limpou, limpou, mudou os móveis consumidos por cupins de lugar e abriu a janela para ser atingida pela luz solar.
Repousou com os cotovelos sobre a janela arcaica, suspirou e, quando iria dar mais um suspiro de alívio, uma borboleta pousou em seu ombro. Ela estava sorrindo novamente.
Orgulhosa do trabalho que havia feito, se reencontrou e decidiu que aquele era, de fato, seu lugar e que a próxima etapa era semear o jardim.
Bem, isto é sobre a nossa vida: juntar os pedaços de nossa alma despedaçada, reconstruí-la e seguir em frente. Você descobrirá que a simplicidade trará alegria novamente.