Às vezes a poesia me invade sem controle algum e não pretendo controlá-la, nem as forças ocultas da natureza, nem o destino.
Talvez a poesia seja um oráculo da ilha de Delfos, como os profetas que leem nas estrelas e constelações o futuro da humanidade. Futuro que somente estará assegurado junto ao proletariado. A poesia baixa em meu peito de forma semelhante ao santo invadindo minha cabeça sem pedir passagem.
Passagem perdida pelo amor de minha juventude.
Talvez aí esteja o segredo que falta aos poetas pós-modernos: a falta de intimidade com o real. Digníssimo Freud nos ensinou uma vez: quando Lenin fala sobre Trotsky, sei mais sobre Lenin do que sobre Trotsky. É assim as linhas que estou tecendo. Saberás mais sobre eu, sobre como o globo ocular reproduz imagens deste mundo, do que de fato como ele é.
A história é subjetiva, mas é implacável.
Haverá um dia em que uma insurreição se dará, como em Leningrado, e os homens de todo o mundo aprenderão a ler. Aprenderão a ler a teoria revolucionária, a história, e o povo finalmente receberá o saber.
Em cada trincheira, em cada povoado, em cada favela, ocupação, aglomerado, ser poeta não será mais um privilégio de quem pode ter ópio criativo. A poesia não será um clarão nos céus, será parte de um povo emancipado, parte da Quarta Internacional.