Isolde

27 de jun. de 2025

Costumava beber refrigerante da tua boca.

Costumávamos dançar na aurora.


Me acostumei com a gargalhada estridente,

Capaz de furar a barreira da arcada dentária

E atingir meus tímpanos perfurados.

Capaz de se propagar pelo céu,

Viajando até o estranho mais próximo.


Havia uma banda que nos contemplava.

Não conseguia seguir o ritmo, observando teu balanço.

Talvez fosse assim que Lampião se sentia

Quando Maria Bonita se punha a rodar.


Havia um peito desnudo de carne a te esperar.

Corra, mulher! Estão tentando prender nossos sonhos.

Posso segurar tua mão magra no círculo negro. Ande,

Eles tentarão nos prender no lamaçal.


Lembra? A grama era verde, e a luz solar refletia teu sorriso.

Você fugia dos meus olhos cansados, e tu decidiste por partir, fincar os pés em areias.


Tola. Mais tarde, descobriu que eu era uma raiz aérea.