Granato, um corpo violado

7 de jun. de 2025

O corpo violado é símbolo de luta.

Pés descalços correm em direção à luta.

O emaranhado de cabelos rebelados dá forma à luta.

O tom da minha pele afirma: "Eu não fujo da luta."


Os atabaques entoam o batuque que quero ver nas ruas.

Minha história inglória é luta por sobrevivência e resistência.


Minha periferia precarizada, cercada de presídios e pichações, dá o aviso: "Ela virá."


A minha luta é como torcer contra o vento, sem desacreditar.

Meu sobrenome é luta.

Minha identidade em descoberta é luta. A fluidez significa luta.


O punho cerrado diz: "Reivindico o pão e a poesia."

O alimento que me prepara, que me coloca de pé.

Aquele abraço acalorado me mostra a solidariedade pura.

A crítica me livra da manipulação.

Os sons que invadem meus ouvidos dizem: "Vá à luta."


Meu coração-organismo vibra por sede de luta.

Os corpos que vi caírem me disseram: "Quero a reparação. Cobre."


Os tiros que causaram um estalido em meus tímpanos me mostraram que existe algo digno pelo qual posso perecer.

A poluição no morro me faz pigarrear, mas desistir? Jamais!

Os sonhos roubados não me impediram de marchar.