O corpo violado é símbolo de luta.
Pés descalços correm em direção à luta.
O emaranhado de cabelos rebelados dá forma à luta.
O tom da minha pele afirma: "Eu não fujo da luta."
Os atabaques entoam o batuque que quero ver nas ruas.
Minha história inglória é luta por sobrevivência e resistência.
Minha periferia precarizada, cercada de presídios e pichações, dá o aviso: "Ela virá."
A minha luta é como torcer contra o vento, sem desacreditar.
Meu sobrenome é luta.
Minha identidade em descoberta é luta. A fluidez significa luta.
O punho cerrado diz: "Reivindico o pão e a poesia."
O alimento que me prepara, que me coloca de pé.
Aquele abraço acalorado me mostra a solidariedade pura.
A crítica me livra da manipulação.
Os sons que invadem meus ouvidos dizem: "Vá à luta."
Meu coração-organismo vibra por sede de luta.
Os corpos que vi caírem me disseram: "Quero a reparação. Cobre."
Os tiros que causaram um estalido em meus tímpanos me mostraram que existe algo digno pelo qual posso perecer.
A poluição no morro me faz pigarrear, mas desistir? Jamais!
Os sonhos roubados não me impediram de marchar.