Quero me deliciar
Com o néctar da primavera.
Quero as nádegas sujas
Com a seiva que cai da árvore,
Pêndulo de orquídeas.
Quero a fascinação
Das jabuticabas
Presas ao tronco por um fio.
Quero perder as pétalas do ipê,
Para renovar a cuca.
Quero machucar os joelhos,
Me debruçando ao solo
Em busca de uma bola de futebol.
Quero gargalhar do meu cabelo desarrumado em plena primavera, onde as coisas são harmônicas.
Quero "panhar"
Nas "grinpas" de um coração,
A criança
E a criação que ainda vive.
Move todas as coisas.
Quero piadas sem sentido
Para fazê-la rir.
Quero pensar na utopia
E esperar que chova ravioli.
Quero repetir incessantemente,
Entre versos sem rima,
O quanto quero
Ser
E posso.