Ectoplasma

5 de jun. de 2025

Que é este ser, que traz e traga, mas retém vestígios de ira?

A velha mania de eternizar até os passos de alguém.

Outrora, foi-se essa foice, que não me arranca a garganta a gotejar e escreve estercos de forma vã.

Acha cansativo. Cansativo é a existência em corda bamba.


Todas as luzes se apagaram, buscando a falência múltipla dos órgãos.

Ensinaram-me: "nunca" e "sempre" são palavras que não devem ser usadas.

Anacronismo.

Olhar para o céu é olhar para o passado. E por que o fardo não se torna coisa passada também?


Um carro de som circula, enquanto sou atropelado pela mente subjetiva e encaixotada.

Contradição.

Alguém que não se identifica com a felicidade, muito menos com a delícia de ser.


Solicitar o sono, ir além de fragmentos de dormência.

Fragmentada e conveniente é minha memória, mas tornei-me um monumento onde pichações são grafadas.


A durar três notas, enquanto a poeira é levantada.

Através dela, o farol.

Talvez seja uma estrela morta, mas que em outras passagens vivia na luz.

As cousas funcionam de outra maneira na prática.

Caça alguém a observar, pela fresta do portão, outro ninguém que solta fumaça, que não se livra da falácia.


Lembra-te da impermeabilização, ectoplasma.

Assume tua forma indeclinável.

Constrói tuas frases.


“Beleza, beleza, beleza”, me dizia o manco.

Faça o coro cá dentro, necessário para pertencer.