As cidades insistem
Em esconder teu seio
Com faixas, placas, outdoors.
E a dor de quem é negligenciado?
Vive à margem dos tentáculos do sistema.
E a dor de quem é menos do que papel picado
Em tempos de eleição?
E a dor da mulher que teve seu filho assassinado
Por um motorista bêbado na contramão?
É relevante, é o ópio de quem é filho do presidente da EBX.
E a dor de quem é menos
Do que comercial da Ricardo Eletro?
E a dor de quem não tem teto?
Vive na ocupação, ganhando bala na cara.
O que sai do gabinete da fábrica
É a derrocada do povo brasileiro.
Vamos definir prioridades:
Qual deles irei expropriar primeiro?
E os amores estão descendo
Via encanamento superfaturado da Copasa,
As vidas cerceadas da cidade,
Em direção ao Ribeirão Arrudas.
A modernidade insiste em concretá-los,
Aquele "corre" vai desaparecer
Antes de chegar em Contagem,
O que fica na memória é a contagem, sim,
Dos corpos que caíram nele.