Contagem

3 de jun. de 2025

As cidades insistem

Em esconder teu seio

Com faixas, placas, outdoors.


E a dor de quem é negligenciado?

Vive à margem dos tentáculos do sistema.


E a dor de quem é menos do que papel picado

Em tempos de eleição?


E a dor da mulher que teve seu filho assassinado

Por um motorista bêbado na contramão?

É relevante, é o ópio de quem é filho do presidente da EBX.


E a dor de quem é menos

Do que comercial da Ricardo Eletro?


E a dor de quem não tem teto?

Vive na ocupação, ganhando bala na cara.


O que sai do gabinete da fábrica

É a derrocada do povo brasileiro.


Vamos definir prioridades:

Qual deles irei expropriar primeiro?


E os amores estão descendo

Via encanamento superfaturado da Copasa,

As vidas cerceadas da cidade,

Em direção ao Ribeirão Arrudas.


A modernidade insiste em concretá-los,

Aquele "corre" vai desaparecer

Antes de chegar em Contagem,


O que fica na memória é a contagem, sim,

Dos corpos que caíram nele.