O Céu de Kandinsky

21 de jun. de 2025

Aquele ponto de luz verde pairou sobre mim

Porque também se sentia perdido

E semelhantes reconhecem seus reflexos e reflexões.


A fagulha de luz verde-grama não podia contemplar tua beleza

E achei que, se pudesse contemplar o meu eu, poderia ver o quanto de pureza e bem-estar havia em si.


Você sabe, semelhantes se reconhecem a cada suspirar.


Sabia que aquela luz acima da cabeça dela

Não era acaso celestial, e que os serafins estavam possessos com a minha predileção.


Passamos a girar nossos calcanhares para mais perto.

Dizia à Maria, aquela, a bonita: "Tu foste a coisa mais linda

Com a qual tive contato na vida."


E ela me devolvia: "Cercas invisíveis te impedirão de saltar,

Vão te dar dor na coluna. Larga esse cigarro, moça."


Os nós estavam grudados no peito,

As borboletas, presas no estômago. A fumaça saía e entrava na traqueia.


Mais uma tarde, no jardim de delícias, disse para ela:

"É muito impedimento para abrir as asas,

Tem sempre um fazendo força contrária."


Ela mandou de volta um sorriso branco,

Cintilante, e a partir daí tornou-se a estrela-cruzada de minha vida,

O grande ponto verde-grama do céu de Kandinsky.


Tudo começa a partir de um ponto.