Aquele ponto de luz verde pairou sobre mim
Porque também se sentia perdido
E semelhantes reconhecem seus reflexos e reflexões.
A fagulha de luz verde-grama não podia contemplar tua beleza
E achei que, se pudesse contemplar o meu eu, poderia ver o quanto de pureza e bem-estar havia em si.
Você sabe, semelhantes se reconhecem a cada suspirar.
Sabia que aquela luz acima da cabeça dela
Não era acaso celestial, e que os serafins estavam possessos com a minha predileção.
Passamos a girar nossos calcanhares para mais perto.
Dizia à Maria, aquela, a bonita: "Tu foste a coisa mais linda
Com a qual tive contato na vida."
E ela me devolvia: "Cercas invisíveis te impedirão de saltar,
Vão te dar dor na coluna. Larga esse cigarro, moça."
Os nós estavam grudados no peito,
As borboletas, presas no estômago. A fumaça saía e entrava na traqueia.
Mais uma tarde, no jardim de delícias, disse para ela:
"É muito impedimento para abrir as asas,
Tem sempre um fazendo força contrária."
Ela mandou de volta um sorriso branco,
Cintilante, e a partir daí tornou-se a estrela-cruzada de minha vida,
O grande ponto verde-grama do céu de Kandinsky.
Tudo começa a partir de um ponto.