Celsius para Fahrenheit

20 de jun. de 2025

Durante as curvas da estrada, minhas letras entortaram-se.

O olhar perdido e desconfiado se perdeu nas curvas do teu corpo.

Teu corpo, extensão da alma que fala, que sente e se liberta nas veias abertas das tuas pálpebras.


Te disse aquele dia: "Cada ponto negro da tua epiderme te torna única. Ah, como eu adoro!"


Os cachos parecem dizer a quem vê a sutileza de um emaranhado de cabelos:

"Se embola em mim, seja mola, vai e volta, salta e aterrissa nas minhas pequenas mãos, mas volta."


Teus pés, tamanho trinta e seis, são mais firmes que a rocha do Redentor. São de granito.


Ando sufocando a língua para não dizer que tu desmontas meus alicerces, que fizeste minha visão dar um giro de trezentos e sessenta graus.


De Celsius para Fahrenheit, a conversão que sofre meu corpo quando nossas terminações nervosas se encontram.