Te leio para sentir e sinto demais.
Os sentimentos escaparam da sandbox para outro planeta;
Você criou uma rota sem firewall direto para a minha cabeça.
Milhares de dados sendo processados por segundo,
E tu segues sendo um deles.
Um encontro enquanto eu estava cheia de nada,
Tal qual um astronauta perdido na imensidão do espaço.
Aquele milésimo de segundo de ousadia:
A divisão de um átomo.
Escrevo enquanto te leio porque me parece demasiado ousar te alcançar.
Sinto que posso queimar os dedos se tentar,
E não me sinto covarde.
Uma obra de arte que necessito,
Que aprecio apenas olhando, sentindo, ainda sem estar tocando.
Criando o infinito como o oceano Atlântico Sul,
E tu estás no norte — exatamente para onde aponta o coração.
A bússola imortal de emoções singelas.
É como ver uma estrela cadente pela primeira vez:
Sinto que para elas posso me confessar
Sem queimar no solo de qualquer igreja.
Escreveria cartas.
Escreveria na areia.
Escreveria em árvores.
Escreveria nas estrelas.
Por enquanto, te escrevo para que tu possas decifrar os caracteres de projeção alguma.
Descrevo os pedaços de mim, porque, assim como estrelas mortas, o que sinto continua cruzando o vácuo, incansável, até alcançar a tua órbita.