A poesia está no que nos falta,
No não pertencer.
Está nos detalhes da tua face, que o Aspie não perde,
Mas encontra a perdição e anda em insuficiência.
[Pulou as catracas de um órgão oco de tecido muscular estriado: o coração].
As oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas saltitam dos teus olhos,
Escapando da teoria da relatividade geral.
Bate no peito,
Destrói o Muro de Berlim,
Faz ruir a Muralha da China
De que me cerquei, e que tu fizeste jogar por terra,
Cultivando sementes "troskas".
Tu, a quem proclamo o entusiasmo criador de uma arte revolucionária e independente,
Permaneces no povo que desperta às cinco da manhã
Para dar faxina, pegar no pesado.
Estás na força dos trabalhadores da Ceasa,
Presos em amarras invisíveis da escravidão moderna.
Cê mora nas gargalhadas dos garis da Comlurb,
Que tu exibes com tanta sutileza, ao sorrir com os olhos
Nos piquetes de greve.
Tu fazes qualquer um padecer de "disfunção lírica afetiva"
Quando botas aquele vestido florido de cigana,
E eu, que de dentro de mim não saía nem para pescar,
Acabei caindo neste anzol.